O que é Ubuntu? O sistema operacional Linux mais popular do mundo explicado

Se você já pesquisou sobre Linux, desenvolvimento web, servidores ou computação em nuvem, certamente esbarrou no nome Ubuntu. É o sistema operacional de código aberto mais adotado no mundo — de servidores em nuvem na AWS e Google Cloud a desktops de desenvolvedores, passando por sistemas embarcados e computadores pessoais de quem quer uma alternativa gratuita ao Windows ou macOS.

Neste guia você vai entender o que é Ubuntu, para que ele serve, como se compara ao Windows, quais são as versões disponíveis e se vale a pena usá-lo no seu dia a dia ou na infraestrutura da sua empresa.

Ubuntu em 30 segundos (resumo rápido)

  • O que é: distribuição Linux de código aberto baseada no Debian, mantida pela Canonical Ltd. — gratuita para uso pessoal e comercial.
  • Para que serve: desktop, servidores web e em nuvem, desenvolvimento de software, IoT e infraestrutura de TI.
  • Principal vantagem: estabilidade, segurança, grande comunidade e ciclo de suporte de longo prazo (LTS — até 5 anos de suporte oficial).
  • Quem usa: desenvolvedores, empresas de tecnologia, administradores de sistemas, estudantes e qualquer pessoa que queira um sistema rápido, seguro e gratuito.

O que é Ubuntu?

Ubuntu é uma distribuição do sistema operacional Linux desenvolvida e mantida pela Canonical Ltd., empresa britânica fundada pelo empreendedor sul-africano Mark Shuttleworth em 2004. O nome “Ubuntu” vem de um conceito filosófico africano que pode ser traduzido como “humanidade para os outros” ou “sou o que sou por causa de quem somos todos juntos” — uma referência direta ao espírito de comunidade do software livre.

Por ser baseado no Debian (outra distribuição Linux), o Ubuntu herda uma base sólida e estável, enquanto adiciona interfaces mais amigáveis, drivers pré-instalados e um ciclo de lançamentos mais previsível. A Canonical lança novas versões a cada 6 meses, com versões LTS (Long Term Support) a cada 2 anos que recebem suporte por 5 anos.

Para que serve o Ubuntu?

Servidores web e em nuvem

Esta é a aplicação dominante do Ubuntu no mercado. Mais de 50% das instâncias Linux na AWS, Google Cloud e Azure rodam Ubuntu. É o sistema preferido para hospedar aplicações web, APIs, bancos de dados, containers Docker e clusters Kubernetes. A combinação de estabilidade, suporte LTS e custo zero é imbatível para infraestrutura de servidor.

Desktop para desenvolvedores

Ubuntu é o sistema operacional preferido de uma grande parcela dos desenvolvedores de software. O acesso nativo a ferramentas de linha de comando, linguagens de programação, ambientes de desenvolvimento e a compatibilidade com o ambiente de produção (que também roda Linux) fazem do Ubuntu um ambiente de desenvolvimento natural.

Desktop pessoal

Para quem quer escapar do Windows sem pagar pelo macOS, o Ubuntu com a interface GNOME é uma alternativa sólida. Navegação na web, edição de documentos, streaming e videoconferência funcionam normalmente. A limitação é a compatibilidade com softwares específicos do Windows — como pacote Office completo, Adobe e jogos AAA (embora o suporte a jogos via Proton/Steam tenha melhorado muito).

IoT e sistemas embarcados

O Ubuntu Core é uma versão minimalista desenvolvida especificamente para dispositivos IoT e sistemas embarcados — roteadores, câmeras inteligentes, gateways industriais. Com atualizações automáticas e footprint reduzido, é uma escolha popular para projetos de IoT industrial.

Versões do Ubuntu: qual escolher?

VersãoPara quemSuporteLançamento
Ubuntu DesktopUso pessoal e desenvolvimentoLTS: 5 anos / Interim: 9 mesesA cada 6 meses
Ubuntu ServerServidores e infraestruturaLTS: 5 anos (+ 5 com ESM)A cada 6 meses
Ubuntu CoreIoT e sistemas embarcados10 anosConforme LTS base
Ubuntu ProEmpresas com conformidade10 anos + patches de segurançaBaseado no LTS

Para a maioria dos casos: use sempre a versão LTS mais recente. Em 2024, é o Ubuntu 24.04 LTS (Noble Numbat). LTS significa que você terá atualizações de segurança por 5 anos sem precisar trocar de versão.

Ubuntu vs. Windows: principais diferenças

CritérioUbuntuWindows 11
CustoGratuitoPago (licença)
Código abertoSimNão
SegurançaAlta (menor superfície de ataque, menos malware)Moderada (alvo principal de malware)
Desempenho em hardware antigoExcelenteLimitado
Compatibilidade de softwareLimitada (sem Office nativo, sem Adobe)Ampla
Curva de aprendizadoModeradaBaixa para usuários comuns
Uso em servidoresDominanteSignificativo (Windows Server)

Conceitos básicos para quem está começando no Ubuntu

Terminal

O terminal (linha de comando) é onde o Ubuntu mostra seu real poder. Operações que levariam minutos em uma interface gráfica são feitas em segundos via comando. Não é obrigatório para uso básico, mas é essencial para administração de servidores e desenvolvimento.

APT — gerenciador de pacotes

O APT (Advanced Package Tool) é o sistema que instala, atualiza e remove softwares no Ubuntu. Para instalar um programa: sudo apt install nome-do-pacote. Para atualizar tudo: sudo apt update && sudo apt upgrade. Simples, seguro e sem precisar procurar instaladores na internet.

Sudo

No Ubuntu, operações administrativas exigem o prefixo sudo (superuser do). É o equivalente ao “Executar como administrador” do Windows — mas com uma camada de segurança que exige senha e registra tudo que foi feito com permissão elevada.

Por que empresas de tecnologia preferem Ubuntu em servidores: além do custo zero de licença, o Ubuntu LTS garante suporte de segurança por 5 anos sem precisar atualizar o sistema — fundamental em ambientes de produção onde estabilidade é prioridade. O Ubuntu Pro estende esse suporte para 10 anos com patches de segurança para todo o ecossistema de pacotes.

Como instalar o Ubuntu

  • Em dual boot com Windows: baixe a ISO no site oficial (ubuntu.com), crie um pendrive bootável com Rufus ou Balena Etcher, reinicie o computador pelo pendrive e siga o instalador gráfico.
  • Em máquina virtual: use VirtualBox ou VMware para rodar Ubuntu dentro do Windows ou macOS sem afetar o sistema principal — ideal para testar.
  • Em servidor VPS: a maioria dos provedores (AWS, DigitalOcean, Vultr, Hetzner) oferece Ubuntu como imagem padrão — em alguns cliques você tem um servidor Ubuntu rodando.
  • No WSL (Windows Subsystem for Linux): se você usa Windows e quer o terminal Ubuntu sem dual boot, o WSL 2 permite rodar Ubuntu nativamente dentro do Windows 10/11.

Perguntas frequentes sobre Ubuntu

Ubuntu é seguro para uso empresarial?

Sim — e é justamente por isso que domina o mercado de servidores em nuvem. O Ubuntu Pro oferece patches de segurança estendidos, conformidade com FIPS 140-2 e ferramentas de hardening empresarial. A Canonical oferece suporte comercial pago para empresas que precisam de SLA e assistência técnica.

Ubuntu roda em qualquer computador?

Praticamente sim. Os requisitos mínimos do Ubuntu Desktop 24.04 são: processador dual-core de 2GHz, 4GB de RAM e 25GB de espaço em disco. Para hardware muito antigo (menos de 2GB de RAM), distribuições mais leves como Lubuntu ou Xubuntu (baseadas no Ubuntu) são melhores opções.

Posso usar o pacote Office no Ubuntu?

Não nativamente. As opções são: LibreOffice (gratuito, compatível com formatos Office), Microsoft 365 via navegador (funciona bem), ou Wine/CrossOver para rodar o Office Windows. Para usuários que dependem fortemente de Excel avançado com macros complexas, a compatibilidade pode ser um limitador real.

Qual é a diferença entre Ubuntu e outras distribuições Linux?

Linux é o kernel (núcleo do sistema); as distribuições são sistemas completos construídos sobre ele. Ubuntu é a distribuição mais popular por seu equilíbrio entre facilidade de uso, suporte comunitário, documentação e ciclo de lançamentos previsível. Outras distribuições como Fedora, Debian, Arch Linux e CentOS têm propostas diferentes — mais cutting-edge, mais minimalistas ou focadas em outros casos de uso.

Ubuntu tem interface gráfica?

Sim. O Ubuntu Desktop usa o GNOME como ambiente gráfico padrão — uma interface moderna e intuitiva. Existem variantes com outras interfaces: Kubuntu (KDE), Xubuntu (XFCE), Lubuntu (LXQt) e Ubuntu MATE, para diferentes preferências e capacidades de hardware. O Ubuntu Server, por padrão, não instala interface gráfica — opera apenas via terminal.

Conclusão

Ubuntu é muito mais do que “o Linux que as pessoas conhecem” — é a espinha dorsal de grande parte da infraestrutura da internet moderna. Para empresas que querem reduzir custos de licenciamento, ter mais controle sobre sua infraestrutura e trabalhar com tecnologias cloud-native, Ubuntu é a escolha natural. Para desenvolvedores, é o ambiente que mais se aproxima do servidor de produção. E para quem quer explorar o mundo Linux pela primeira vez, é o melhor ponto de partida.

Explore mais sobre tecnologia e infraestrutura de TI no Atraca para continuar sua jornada no universo Linux e open source.